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Gigante do setor cerâmico pode deixar Santa Catarina

Esmalglass estuda migrar operações para o interior de São Paulo

12/03/2026 às 06h05
Por: Redação Fonte: 4oito
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Foto: Castanhel
Foto: Castanhel

A Esmalglass, uma gigante do setor cerâmico em Criciúma, estuda a possibilidade de deixar Santa Catarina e migrar para o interior de São Paulo. O motivo seria a falta de estrutura e os altos custos do gás natural. Atualmente, a empresa possui quase 200 empregados diretos na sede catarinense.

 

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Além disso, a indústria impulsiona o mercado ao seu redor, criando importantes multiplicadores financeiros na cadeia produtiva e em serviços anexos, influenciando o consumo regional em diferentes atividades.

Mesmo com tanto impacto na economia catarinense, o setor enfrenta diversos obstáculos que dificultam a permanência em Santa Catarina. Diante dessas dificuldades, novas medidas podem ser tomadas.

Processo de desindustrialização preocupa
De acordo com o diretor-geral da Esmalglass, João Batista Borgert, o setor cerâmico no Sul de SC vem sofrendo um processo relevante de desindustrialização nos últimos anos. Caso a saída seja concretizada, um grande impacto pode ocorrer na região de Criciúma.

“Mesmo com o risco elevado, não parece haver sensibilização da sociedade catarinense ou das autoridades competentes. Não vemos atitudes efetivas tentando mitigar as dificuldades mencionadas e, se continuar assim, fica difícil imaginar um cenário regional positivo para o setor cerâmico”, afirmou.

Custo do gás natural pesa para indústria

Outro desafio, segundo o diretor, é o alto consumo energético do segmento industrial. Nesse contexto, Santa Catarina acaba penalizando o setor com um custo de gás natural mais elevado do que em outras regiões.

Ele lembra que, no passado, o setor contava com incentivos que tornavam esse insumo o segundo mais barato do país.

Como o principal mercado consumidor está no Sudeste, é necessário “exportar” o material por meio de uma logística cara, pouco eficiente e, pior ainda, pouco confiável, principalmente no escoamento pela BR-101.

“Com isso, somos penalizados no mercado porque essa logística não atende às expectativas de um setor tão competitivo e que exige soluções rápidas e eficazes”, relatou Borgert.

Limitações em aeroportos e portos

Outros meios de transporte, como aeroportos e portos, também apresentam limitações. O aeroporto não oferece voos regulares com a frequência necessária nem destinos estratégicos para que as empresas possam deslocar recursos humanos com agilidade e custo adequado.

“Recentemente, perdemos o único voo que nos ligava diretamente ao interior de São Paulo, uma rota importante para o segmento em que atuamos”, explicou o diretor.

Já os portos apresentam escassez de navios, e a baixa oferta dificulta e encarece o transporte marítimo, seja para outras regiões do país ou para exportação.

Adaptação e investimentos fora do Estado

Uma forma de sobreviver a um mercado exigente é a adaptação e o investimento em outras regiões.

“Nos últimos três anos, 25% de nossa capacidade operativa já foi transferida para o Nordeste, para estarmos mais próximos do mercado consumidor e com uma produção mais econômica, com gás natural mais barato”, relatou Borgert.

Uma nova unidade no interior de São Paulo já conta com 50 profissionais atuando exclusivamente em serviços de atendimento ao cliente, buscando evitar perdas ainda mais significativas de participação no mercado.

Brasil é destaque na produção mundial

O Brasil é o terceiro maior produtor de revestimentos cerâmicos do mundo, ficando atrás apenas de China e Índia. Ele afirma que, para tornar o país mais competitivo no cenário internacional, é essencial melhorar a infraestrutura.

“Temos capacitação técnica, fábricas produtivas e eficientes, mão de obra qualificada e produzimos ótimos produtos, mas exportamos pouco. Nossa região merece mais atenção para que possamos usar nosso potencial em prol do setor, o que trará benefícios a todos, direta ou indiretamente", finaliza o diretor.

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