

O programa de controle da dengue da Secretaria de Saúde de Balneário Camboriú realizou na madrugada desta sexta-feira (20), a última soltura de Wolbitos (mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia), para prevenir doenças como dengue, Zika e chikungunya.
Os wolbitos ao se reproduzirem, tornam a população local incapaz de transmitir esses vírus. A técnica é natural, autossustentável e recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Desde agosto, quando iniciaram as liberações, que foram aplicadas duas vezes por semana, durante 26 semanas, totalizou 52 solturas dos mosquitos.
O diretor da Vigilância Ambiental, David Iesus Cruz, disse que ainda é cedo para dizer que há uma redução dos casos de dengue, por causa dos wolbitos.
“O período de maior incidência é de março a maio. Contudo, comparando já com ano passado os mesmos períodos, estamos tendo menos casos positivos. Esperamos que siga desta forma”, afirmou David. Atualmente, Balneário Camboriú tem dois casos positivos para dengue, um autóctone e um indeterminado.
David informou que o monitoramento da presença do mosquito com a bactéria nas localidades onde houveram a soltura, vai continuar.
“O monitoramento é realizado através de uma armadilha (ovitrampa), um equipamento de pesquisa em que é coletado a cada 15 dias ovos e é mandado para análise do nosso laboratório. Após a análise, também é enviado uma fração para Fiocruz para que eles analisem se essas amostras têm ou não a bactéria Wolbachia. Após todo esse resultado, nós iremos avaliar se há ou não a necessidade de novas solturas, sempre priorizando critérios técnicos e a segurança da nossa população”, acrescentou o diretor.
O método
A tecnologia do Método Wolbachia é respaldada por estudos científicos e já foi implementada com sucesso em diversas cidades do Brasil e do mundo, sempre com reduções expressivas nos casos de arboviroses.
O método, uma ação complementar a outras de enfrentamento à dengue, é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e passou a fazer parte das políticas públicas de saúde do Brasil.
Conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde, a estratégia é operacionalizada pela Wolbito do Brasil, empresa responsável pela maior biofábrica do mundo de Wolbitos.
A bactéria naturalmente está presente em mais da metade dos insetos da natureza, como abelhas e borboletas. Ao se reproduzirem com os mosquitos locais, os wolbitos transmitem a bactéria para os filhotes e, com o tempo, a maioria passa a ter Wolbachia, o que reduz significativamente a transmissão dos vírus.
A soltura dos wolbitos foi mais uma ação preventiva realizada em Balneário Camboriú. Em 2025, foi registrada uma redução de 89% nos casos positivos da doença na cidade, sem nenhum óbito confirmado.
No enfrentamento do mosquito transmissor da dengue, foram realizadas diversos mutirões nos bairros das Nações, Barra, São Judas, Municípios e Vila Real, bem como aplicação em pontos de risco e estratégicos da cidade.
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